Menopausa e saúde cardiovascular: por que essa fase merece atenção especial?

Menopausa e saúde do coração: um cuidado que merece atenção

Quando falamos sobre menopausa, é comum que os primeiros sintomas lembrados sejam as ondas de calor, alterações de humor e dificuldades para dormir. No entanto, existe um aspecto igualmente importante que muitas mulheres desconhecem: o impacto da menopausa na saúde do coração.

Um recente comunicado científico da American Heart Association (AHA) destaca que a transição para a menopausa representa um período crítico para o aumento do risco de doenças cardiovasculares, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento médico nessa fase da vida.

O que acontece durante a transição para a menopausa?

A transição para a menopausa é o período que antecede a última menstruação e é marcada por importantes mudanças hormonais. Além dos sintomas mais conhecidos, o organismo também passa por alterações metabólicas que podem influenciar diretamente a saúde cardiovascular.

Estudos mostram que, durante essa fase, podem ocorrer:

  • aumento da gordura abdominal, conhecida como gordura visceral;
  • alterações nos níveis de colesterol;
  • mudanças na composição corporal;
  • alterações na saúde dos vasos sanguíneos.

Essas mudanças acontecem independentemente do envelhecimento natural e contribuem para o aumento do risco cardiovascular após a menopausa.

A menopausa é um fator de risco cardiovascular?

Segundo o documento da American Heart Association, sim.

A menopausa deve ser considerada um fator de risco específico para doenças cardiovasculares. Mulheres que apresentam menopausa precoce ou prematura têm um risco ainda maior de desenvolver doenças cardíacas e acidente vascular cerebral, AVC.

Por isso, essa fase não deve ser vista apenas como uma mudança reprodutiva, mas também como uma oportunidade para reforçar os cuidados com a saúde.

A prevenção começa antes dos sintomas aparecerem

Um dos principais alertas da publicação é que muitas mulheres chegam à menopausa sem adotar hábitos que ajudam a proteger o coração.

Dados apresentados no documento mostram que apenas uma pequena parcela das mulheres pratica atividade física conforme as recomendações e menos de 20% mantêm uma alimentação considerada saudável.

A boa notícia é que mudanças no estilo de vida durante essa fase podem contribuir para reduzir o risco cardiovascular ao longo dos anos.

Entre as principais recomendações estão:

  • manter uma alimentação equilibrada;
  • praticar atividade física regularmente;
  • controlar colesterol, pressão arterial e glicemia;
  • realizar consultas periódicas para avaliação individualizada dos fatores de risco.

Terapia hormonal: quando pode trazer benefícios?

O comunicado científico também reúne evidências de que a terapia hormonal da menopausa, THM, quando indicada de forma individualizada e iniciada no momento adequado, pode trazer benefícios metabólicos.

Os estudos citados demonstram associação entre a terapia hormonal e:

  • menor acúmulo de gordura visceral;
  • menor ganho de peso e de circunferência abdominal em comparação com mulheres que não utilizaram a terapia;
  • redução da glicemia de jejum e dos níveis de insulina;
  • redução do colesterol total e do LDL, conhecido como colesterol ruim;
  • possível prevenção ou retardamento da obesidade relacionada à menopausa.

É importante destacar que a terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres. A decisão deve ser individualizada, considerando o histórico clínico, os sintomas, os fatores de risco e possíveis contraindicações, sempre com acompanhamento médico.

A importância do acompanhamento médico

A menopausa é uma fase natural da vida, mas também representa um momento importante para avaliar a saúde cardiovascular e prevenir doenças futuras.

Consultas regulares permitem identificar fatores de risco precocemente e definir estratégias personalizadas de prevenção, que podem incluir mudanças no estilo de vida e, quando indicado, terapia hormonal.

Cuidar da saúde durante a transição para a menopausa é investir na qualidade de vida hoje e na proteção do coração para os próximos anos.

Informação baseada em evidências e acompanhamento individualizado são fundamentais para que cada mulher atravesse essa fase com mais saúde, segurança e bem-estar.