Terapia hormonal no climatério: como o tratamento pode melhorar a qualidade de vida da mulher?

A chegada do climatério marca uma fase de mudanças importantes na vida da mulher. Alterações no sono, ondas de calor, irritabilidade, cansaço e desconfortos íntimos são algumas das queixas que podem surgir nesse período e, muitas vezes, acabam interferindo na rotina, nos relacionamentos e no bem-estar.

Embora essas mudanças estejam relacionadas ao processo natural de envelhecimento e à redução da produção hormonal, isso não significa que a mulher precise conviver com sintomas que prejudicam sua qualidade de vida.

A terapia hormonal é uma das principais opções de tratamento para os sintomas da menopausa, desde que seja indicada de forma individualizada e acompanhada por um médico.

Como a terapia hormonal funciona?

Durante o climatério, os ovários passam por uma redução progressiva na produção de hormônios, especialmente o estrogênio. Essa mudança pode afetar diferentes funções do organismo, provocando sintomas físicos, emocionais e geniturinários.

A terapia hormonal tem como objetivo compensar parte dessa redução, contribuindo para o alívio dos sintomas e, em determinadas situações, para a proteção da saúde óssea.

Segundo o Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério, da Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), os benefícios e os riscos devem ser avaliados individualmente. Em geral, a relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável quando o tratamento é iniciado antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, em mulheres sem contraindicações.

Quais sintomas podem melhorar com a terapia hormonal?

Ondas de calor e suores noturnos

Os conhecidos fogachos estão entre os sintomas mais frequentes da menopausa. Podem surgir repentinamente, inclusive durante a noite, provocando desconforto, suor excessivo e interrupções do sono.

A terapia hormonal com estrogênio é considerada o tratamento mais eficaz para esses sintomas, podendo reduzir significativamente sua frequência e intensidade.

Alterações de humor e irritabilidade

Durante o climatério, algumas mulheres percebem mudanças emocionais que antes não faziam parte da rotina. Irritabilidade, ansiedade, oscilações de humor e maior sensibilidade emocional podem estar associadas às flutuações hormonais.

Em situações específicas, a terapia hormonal pode contribuir para a melhora desses sintomas, especialmente quando estão relacionados à transição menopausal. Entretanto, ela não substitui a avaliação e o tratamento adequado de transtornos de ansiedade ou depressão.

Dificuldade para dormir

A qualidade do sono também pode ser afetada durante a menopausa. Muitas mulheres relatam dificuldade para adormecer ou acordam várias vezes durante a madrugada, principalmente por causa dos suores noturnos.

Ao controlar esses sintomas, a terapia hormonal pode favorecer noites mais tranquilas e melhorar a disposição durante o dia.

Ressecamento vaginal e desconforto nas relações

A redução do estrogênio também afeta os tecidos da região íntima, podendo provocar ressecamento, diminuição da lubrificação, irritação e dor durante as relações sexuais.

Essas alterações fazem parte da chamada Síndrome Geniturinária da Menopausa, que também pode envolver sintomas urinários.

Nesses casos, o tratamento com estrogênio vaginal de baixa dose pode ser especialmente indicado, contribuindo para a recuperação da saúde dos tecidos e para a melhora do conforto íntimo. A escolha entre tratamento local e sistêmico depende dos sintomas e das necessidades de cada mulher.

Toda mulher pode fazer terapia hormonal?

Não. Apesar dos benefícios, a terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres.

Histórico de determinados tipos de câncer, como o câncer de mama, sangramento vaginal sem causa esclarecida, algumas doenças hepáticas e antecedentes de eventos tromboembólicos estão entre as situações que exigem atenção especial ou contraindicam determinados tratamentos hormonais.

Por isso, antes de iniciar a terapia, é fundamental avaliar o histórico de saúde, os sintomas, os fatores de risco e os objetivos de cada paciente.

Também existem alternativas não hormonais para mulheres que não podem ou preferem não utilizar hormônios.

Dúvidas frequentes sobre a terapia hormonal

A terapia hormonal causa ganho de peso?

Não há evidências consistentes de que a terapia hormonal, por si só, provoque aumento significativo de peso. As mudanças na composição corporal e o maior acúmulo de gordura na região abdominal estão associados a diversos fatores, incluindo envelhecimento e alterações hormonais dessa fase.

Por quanto tempo o tratamento pode ser realizado?

Não existe um prazo único que se aplique a todas as mulheres. A duração depende da persistência dos sintomas, dos benefícios percebidos e dos riscos individuais. O acompanhamento médico periódico é essencial para reavaliar a necessidade de continuar o tratamento.

Existem alternativas para quem não pode utilizar hormônios?

Sim. Dependendo dos sintomas, podem ser utilizados tratamentos não hormonais, incluindo medicamentos específicos para os fogachos e hidratantes ou lubrificantes vaginais para o desconforto íntimo.

Menopausa não precisa ser sinônimo de perda de qualidade de vida

Cada mulher vivencia o climatério de maneira diferente. Enquanto algumas apresentam sintomas discretos, outras enfrentam mudanças que interferem significativamente no sono, na disposição, na vida sexual e no bem-estar emocional.

O mais importante é compreender que existem possibilidades de cuidado e que o tratamento deve considerar a saúde, a história e as necessidades individuais de cada paciente.

Cuidar da saúde durante a menopausa não é apenas aliviar sintomas. É proporcionar mais conforto, autonomia e qualidade de vida para viver essa nova fase.

Se você está passando pelo climatério ou pela menopausa e percebe mudanças que estão afetando sua rotina, procure acompanhamento ginecológico. Uma avaliação individualizada pode ajudar a identificar as melhores opções de tratamento para você.

Referência: Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério, 2021.